segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ginástica Laboral

DEFINIÇÃO DE GINÁSTICA LABORAL

É a combinação de atividades físicas que tem como características comuns, melhorar, sob aspecto fisiológico a condição física do indivíduo para o seu trabalho, objetivando promover a saúde e a socialização dos trabalhadores, atuando na prevenção e terapêutica das possíveis doenças osteomusculares e ligamentares.

OBJETIVOS

A Ginástica Laboral tem como principal objetivo, prevenir o aparecimento de lesões músculo esqueléticas e/ou ligamentares devido a situações de stress; diminuição dos acidentes de trabalho; aumento da produtividade e a melhora do bem-estar geral.

A cada R$ 1,00 investido em programas de qualidade de vida na empresa, ocorre uma economia de R$ 4,00 em despesas de saúde.

METODOLOGIA

Existem vários formatos de Programa de Ginástica Laboral e ao se escolher um determinado tipo de programa dever ser levado em consideração a realidade de cada empresa , elaborando um plano de ação adaptado as condições disponíveis.

Todo programa de Ginástica Laboral dever ser desenvolvido após avaliação criteriosa de todos fatores do ambiente de trabalho e individual dos trabalhadores.

APLICAÇÃO DO PROGRAMA

O Programa de Ginástica Laboral poderá ser aplicado em toda a empresa, iniciando nas áreas críticas de trabalho através de programa piloto.

Os exercícios serão elaborados e aplicados de acordo com as exigências físicas laborais sobre as várias estruturas osteo-musculo-ligamentares dos trabalhadores.
Formas de aplicação:

  • Aquecimento - antes do início das atividades de trabalho, aquecendo o corpo e preparando-o para exercer a atividade laboral
  • Distensionamento - durante a jornada de trabalho, com o objetivo de distensionar e compensar a musculatura sobrecarregada pelo trabalho
  • Relaxamento - após a jornada de trabalho, com o objetivo de relaxar a musculatura e diminuir as tensões musculares provocadas pelo trabalho.
  • Micro pausas - Quando a carga de trabalho ultrapassa as tolerâncias do ser humano (trabalhador) as pausas ou micropausas passam a ser um mecanismo fisiológico de compensação e de prevenção da fadiga crônica, sendo importante a conscientização dos tipos de posturas compensatórias a serem exercitadas durantes esses períodos.

FREQUÊNCIA DAS ATIVIDADES

As atividades físicas laborais devem ser aplicadas todos os dias da semana, para o condicionamento ao hábito de compensar as posturas e esforços musculares e, para que os trabalhadores não sintam-se desmotivados por atividades em dias alternados.

MEDIÇÃO DOS RESULTADOS

Realizada a cada BIMESTRE sendo de vital importância para a administração, correções necessárias e sucesso do Programa de Ginástica Laboral.

Maiores informações:

www.fitmed.com.br

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Iniciamos as nossas atividades em 08/04/2010, e já obtemos esta marca.

Muito Obrigado.
Equipe FitMed.

Síndrome do Túnel do Carpo

O que é Túnel do Carpo?
É uma passagem anatômica, localizada na porção anterior do punho, formada profundamente por um arco de ossos e superficialmente por um forte ligamento, chamado de Ligamento Transverso do Carpo. Dentro deste túnel se localizam os tendões flexores para os dedos (total de 9) e o nervo mediano. Esse nervo é responsável pela sensibilidade do polegar, indicador, dedo médio e a metade externa do dedo anular. O nervo Mediano localiza-se logo abaixo do Ligamento Transverso do Carpo, e, por ser a estrutura mais delicada no interior desse túnel, pode causar sensação de dor e dormência nas mãos ao ser comprimido.

O que é Síndrome do Túnel do Carpo?
É o conjunto de sinais e sintomas (dor, dormência, formigamento, falta de força) causados pela compressão do Nervo Mediano no punho.

Quais são as principais causas da Síndrome do Túnel do Carpo?
Não existe um fator único causador da Síndrome do Túnel do Carpo (STC), mas sim algumas situações que, em conjunto ou individualmente, podem promover o aparecimento da síndrome. Basicamente dividimos estas situações em fatores que aumentam o volume das estruturas no interior do túnel ou que diminuem o tamanho do túnel. A STC ocorre principalmente em mulheres após a menopausa, pois alterações hormonais causam um aumento da quantidade de líquido no corpo, levando a um inchaço dos tendões no interior do túnel. Também nessa fase, há uma alteração na estrutura óssea que forma o assoalho do túnel, provocando um uma diminuição do espaço no interior do mesmo. É mais comum na mão direita, mesmo em pacientes canhotos, porém freqüentemente atinge os dois lados. A doença pode também ser causada por patologias como artrite reumatóide, diabetes, fratura do punho mal-consolidada, hipotireoidismo, tumores no interior do túnel e condições fisiológicas, como a gravidez. O uso abusivo do punho e mão em atividades que requeiram força pode aumentar os sintomas da STC, porém não está provado que possa causá-los.

Quais são os principais sintomas?
A principal manifestação de STC é a dor e dormência que ocorrem nos dedos inervados pelo Nervo Mediano (Polegar, Indicador, Médio e metade do Anular). Esses sintomas pioram durante a noite e ao despertar pela manhã. O alívio parcial pode ser obtido sacudindo as mãos ou abaixando-as. Durante a crise, a dor pode se irradiar para o antebraço, cotovelo, podendo ir até os ombros. A falta de sensibilidade nos dedos pode causar fraqueza, fazendo com que o paciente freqüentemente deixe cair objetos e tenha dificuldade de diferenciar se algo é frio ou quente. Na base do polegar, existe a Musculatura Tenar, que também é inervada pelo Nervo Mediano. Num estágio avançado, ocorre a atrofia desses músculos, causando a inabilidade do paciente mobilizar o polegar contra os outros dedos da mão.

Como é feito o diagnóstico definitivo?
O diagnóstico é feito pelo exame do médico, através das queixas apresentadas pelo paciente e também por testes realizados. O paciente pode apresentar diferentes níveis de gravidade. Como existem tratamentos diferenciados para cada fase da doença, é imprescindível saber em qual o estágio que o paciente se encontra. Para determinar a gravidade, o principal exame realizado é a eletroneuromiografia. Esse exame é feito em laboratório, geralmente por médicos neurologistas ou fisiatras. Nele, eletrodos são colocados ao longo do membro superior com o objetivo de medir a velocidade de condução elétrica do nervo. Quanto mais apertado ele estiver, menor será a velocidade.

A Síndrome do Túnel do Carpo pode ser tratada sem cirurgia?
O tratamento na fase inicial da doença é sem cirurgia, chamado tratamento conservador. Isso ocorre quando o paciente apresenta dor moderada, apenas em determinadas atividades, como dirigir ou falar telefone, não tendo perda da sensibilidade nas pontas dos dedos ou atrofia muscular. O tratamento conservador é realizado com o uso de talas removíveis pré-moldadas que mantém o punho em leve extensão, além do uso de medicamentos antiinflamatórios. Esses podem ser em comprimidos ou, dependendo do estágio da doença, com infiltração local do medicamento dentro do túnel. Em pacientes gestantes, o tratamento sem cirurgia deve ser realizado o máximo de tempo possível, isso porque os sintomas geralmente se resolvem espontaneamente após o parto. Para elas, é indicado o uso de talas, porém não se deve administrar antiinflamatórios. Em último caso, quando a paciente não consegue mais dormir ou realizar atividades durante o dia, é indicada a cirurgia com anestesia local.

Quando é realizado o tratamento cirúrgico?
Em pacientes nos quais os sintomas já ocorrem durante o dia inteiro, quando há fraqueza muscular ou quando o tratamento com medicamentos não apresentou melhora, é indicado o tratamento cirúrgico. Os pacientes idosos têm uma indicação maior de tratamento cirúrgico que os jovens. Para eles, apenas uma leve atrofia da Musculatura Tenar é uma forte indicação para tratamento cirúrgico. Isso ocorre porque pacientes idosos têm uma pobre recuperação da força após a atrofia já estar estabelecida.

Como é realizada a cirurgia?
O procedimento é feito sob anestesia regional, ou seja, só no punho. Antigamente, acreditava-se que era necessária uma incisão ampla para poder se liberar todo o nervo, o que gerava uma recuperação lenta e dolorosa. Atualmente, as técnicas cirúrgicas são com incisões menores, sendo mais comumente realizados dois tipos de procedimentos. Em um, o que se faz é uma incisão de mais o menos 3 centímetros na palma da mão, acompanhando a prega longitudinal da mesma. Com o uso de um instrumento especial, chamado retinaculótomo, consegue-se, uma liberação completa de todo o nervo mediano até a porção final do antebraço. Após é realizada a sutura com 3 ou 4 pontos. No outro procedimento, chamado de endoscópico, o nervo é liberado através de uma incisão de mais ou menos 1 centímetro na prega de flexão do punho. Através dessa incisão, é inserida uma câmara de vídeo que é acoplada a uma lâmina especial. Essa lâmina abre completamente o Ligamento Carpal Transverso e descomprime o Nervo Mediano. Após, efetua-se o fechamento com 1 ponto de sutura. A grande vantagem da utilização de incisões menores na pele é a incidência de menos dor nos primeiros dias de pós-operatório. Sabe-se que a longo prazo, ou seja, após um ano, todos os pacientes terão a mesma evolução, independente da técnica escolhida. Porém, os pacientes operados por técnica endoscópica apresentam menos dor e um retorno ao trabalho e as suas atividades normais mais rápido. Não é necessário o uso de talas ou gesso no pós operatório. Apenas é aplicado um curativo simples com atadura que imobiliza somente o punho, deixando os dedos livres para o uso. A mão deve ser mantida para cima nos primeiros dias após a cirurgia para diminuir o inchaço. A melhora do desconforto da mão é imediata. Na própria noite após a cirurgia, o paciente já sente o alívio e consegue dormir sem despertar com dormência. Nos primeiros 2 ou 3 dias o que se observa é uma troca da dor e dormência das mãos pelo desconforto da incisão, porém esse é facilmente controlado com o uso de analgésicos fracos.

Como é a evolução após a cirurgia?
É realizado o primeiro curativo entre 5 e 7 dias após a cirurgia, trocando a imobilização por uma menor. Neste período, o paciente é estimulado a movimentar os dedos para facilitar a reabilitação e diminuir o inchaço no local da cirurgia. Após, o paciente é liberado para realizar a maioria das atividades diárias, como se vestir e utilizar talheres. Ele não poderá fazer força, como carregar sacola ou mala, por um período de 1 mês. Geralmente não é necessária a realização de fisioterapia, pois a recuperação é rápida, não havendo rigidez. Após 30 dias, o paciente é liberado para realizar todas as suas atividades normais, podendo, inclusive, fazer atividade física. Raramente se observa uma dor residual no punho chamada de “Pillar Pain”. Isso, pode ocorrer por no máximo 5 ou 6 meses após a cirurgia e é causado pelo realinhamento dos ossos no assoalho do punho após a liberação do Ligamento Carpal Transverso. Essa dor apresenta uma resolução espontânea, sem ser necessário um tratamento específico. A falta de sensibilidade da ponta dos dedos pode demorar até 4 meses para voltar ao normal, principalmente se a cirurgia é realizada em pacientes com longa evolução da doença. Porém, essa falta de sensibilidade raramente é notada pelo paciente no período pós-operatório, já que a dor, que era o sintoma que mais lhe trazia desconforto, desaparece imediatamente após o procedimento.

Pode ser realizada a cirurgia nas duas mãos ao mesmo tempo?
Não, pois o paciente precisará de um repouso relativo na mão operada num período inicial, principalmente, sem poder molhar o local da cirurgia. Se o procedimento for realizado nos dois lados, o paciente terá dificuldade em realizar suas atividades, ficando dependente de outros. O que se indica é realizar a cirurgia no lado que tenha a pior dor e, pelo menos 30 dias após, fazê-la do outro lado.

Cafeína: Tudo que você queria saber

A cafeína pode ser considerada uma das substâncias psicoativas mais consumidas no mundo. Ainda existe, no meio científico, muita discussão sobre seus potenciais benefícios e riscos para a saúde. Uma substância também utilizada em remédios, a cafeína pode até mesmo atuar de forma terapêutica, quando adequadamente prescrita por um médico."

O que é a cafeína?

A cafeína pertence ao grupo de compostos das metilxantinas, em que se inclui também o chá. São substâncias que, se tomadas em grandes quantidades e com freqüência, estimulam o sistema nervoso, produzindo estado de alerta de curta duração. Em medicina, a cafeína tem sido usada emergencialmente para excitar padrões deprimidos de respiração e até como terapêutica auxiliar no tratamento de dores de cabeça.

A cafeína é também encontrada, em menores proporções, em outras bebidas além do café, como as bebidas contendo cacau, cola, chocolate, além do chá e de alguns remédios do tipo analgésico ou contra gripes.

Existem evidências de que a cafeína possa funcionar como droga de adição, causando dependência em seus consumidores. Não existem relatos, entretanto, de pessoas que tenham cometido atos desmedidos por estarem sob o efeito da substância. Para os especialistas, a explicação para isto está na quantidade de droga ingerida: caso fosse possível isolar a cafeína, seus efeitos seriam bastante potentes, semelhantes aos da cocaína, por exemplo. Existem, no entanto, aspectos psicológicos inerentes ao uso da cafeína, estipulados culturalmente através dos séculos. Tradicionalmente ela é usada como um estimulante leve, aceito em todas as famílias. Há também o efeito de sugestão, muito presente no uso da cafeína: a pessoa toma duas ou três xícaras de cafezinho, por exemplo, e fica a noite inteira sem dormir. O que está ocorrendo é muito mais o fato de a pessoa acreditar que esta dose lhe tira o sono do que o efeito da droga ingerida, propriamente dito.

A cafeína talvez seja a substância estimulante de maior consumo em todo mundo. Somente nos Estados Unidos, os dados epidemiológicos indicam que a ingestão diária é superior a 150mg, o equivalente a 3,5 kg de café por ano. Os países latinos têm tradicionalmente o hábito de tomar café mais concentrado, com maior teor de cafeína, enquanto que os americanos preferem o café bem mais diluído, de preferência descafeinado. Isto porque a bebida não é tão popular nos Estados Unidos como é no Brasil e em Cuba, os maiores produtores de café. O café coado tem menos teor de cafeína que o café sírio, por exemplo, que não é filtrado, ficando o pó assentado no fundo do recipiente. Este último é o que tem maior proporção de cafeína, que produz um certo estado “energético” (o valor calórico da cafeína é desprezível) e que, em altas doses, pode provocar uma dependência moderada.

Há ainda outros ingredientes no café que podem elevar o nível de colesterol, além de estimular a acidez no estômago. Algumas pessoas apresentam sintomas de azia com o uso exagerado da bebida. Os pacientes portadores de gastrite e outras doenças gástricas costumam receber a indicação de que não devem tomar café, em especial se estiverem com o estômago vazio.

Estudos sobre cafeína

Estudos recentes mostraram alguma evidência de que beber duas ou três xícaras de café pode elevar a pressão e aumentar o cortisol, hormônio do estresse.

Existe de fato a possibilidade de que a cafeína aumente o estresse: basta se lembrar das pessoas que fumam, pois elas formam um círculo vicioso - tomam café para fumar, ou fumam para justificar a ingestão de café. Isto, porém, não é um dado alarmante, apenas algo que as pessoas devem preferencialmente evitar.

Alguns estudos também apontam a cafeína como um dos responsáveis por aumentar o poder de hipertensão de alguns remédios, o que significa que o mais adequado é não fazer uso da cafeína combinada com tratamentos médicos que exijam uso de medicamentos. Esses estudos mostraram ainda que bebidas cafeinadas, tomadas sob estresse antes de exames, provocavam pressão sistólica sanguínea aumentada em mais de 14mmHg. O efeito combinado sobre a pressão sanguínea é tão intenso que as pessoas com tendência à hipertensão devem evitar bebidas cafeinadas, dizem os relatórios dos estudos. Além disso, pessoas que vão medir a pressão sanguínea devem evitar tomar cafeína antes.

Contraponto: pesquisas também apontam benefícios da cafeína

Mal de Parkinson

Alguns estudos, no entanto, indicam que a cafeína também pode ser utilizada para controlar uma série de doenças. Entre eles, destacamos a pesquisa realizada por pesquisadores da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, que indica que beber café pode reduzir o risco da doença de Parkinson. O Dr. Demetrius M Maraganore, que coordenou a pesquisa, identificou, com sua equipe, 196 pessoas que desenvolveram a doença entre 1976 e 1995. Os casos foram distribuídos estatisticamente, por idade, sexo e comparados à indivíduos da população em geral, que não desenvolveram a doença.

O artigo, publicado na revista Neurology, aponta que o uso de café foi significativamente mais comum em indivíduos controles do que nos casos que desenvolveram a doença. O motivo para esta associação não é conhecido, e os pesquisadores advertem que este resultado não significa, ainda, que tomar café tem um efeito protetor contra a doença de Parkinson, embora o estudo traga a observação de que há uma tendência de risco progressivamente mais baixo, relacionado ao número de xícaras de café ingeridas por dia. Para completar, os pacientes que tomavam café apresentaram um início mais tardio da doença, quando comparado aos que não tomavam.

Dores de Cabeça

Um outro estudo, chefiado por Seymour Diamond, da Diamond Headache Clinic (Clínica para Dor de Cabeça Diamond), em Chicago (Illinois), e publicado na revista Clinical Pharmacology and Therapeutics(Farmacologia Clínica e Terapêutica) envolveu 301 pessoas que sofrem de dor de cabeça com freqüência. A investigação mostrou que uma dose de cafeína também pode ajudar a tratar a cefaléia comum associada à tensão e atingir resultados ainda melhores se combinada com ibuprofeno. Da população pesquisada, 80% dos que tomaram a combinação da droga e da cafeína verificaram que a dor melhorou significativamente em seis horas, comparados a 67% que tomaram somente a droga e 61% que tomaram somente cafeína. Também observaram melhora neste prazo em 56% dos pesquisados que tomaram apenas placebo, substância inócua.

Os pacientes que receberam ibuprofeno associado à cafeína tiveram um alívio da dor quase uma hora antes dos pacientes que tomaram apenas ibuprofeno. Cabe ressaltar que os pacientes pesquisados apresentavam dores de cabeça associadas à tensão conhecidas como cefaléias episódicas por tensão, de 3 a 15 vezes por mês e que pessoas com dor de cabeça crônica devem evitar a cafeína, pois, nestes casos, a substância pode acentuar os sintomas.

De acordo com a pesquisa, a combinação de cafeína e ibuprofeno também pode auxiliar no alívio das cólicas menstruais e certos tipos de dores pós-cirúrgicas. Acredita-se que a cafeína, por ter a propriedade de contrair os vasos sangüíneos, compensa a dilatação dos vasos da cabeça, que causam a dor. Para os especialistas, a cafeína parece potencializar os efeitos analgésicos do ibuprofeno, pois a metade dos pacientes que só tomaram cafeína relataram inicialmente um alívio da dor semelhante aos pacientes no grupo do ibuprofeno ou no grupo da combinação, mas a dor de cabeça voltou logo depois.

Risco de aborto espontâneo e a cafeína

Um grupo de pesquisadores americanos, dirigidos por Dr. Mark A . Klebanoff, vinculado ao National Institute of Health, analisou medições seriais de paraxantina, o principal agente da cafeína, em 487 mulheres com aborto espontâneo ocorrido antes da 20ª semana de gestação, participantes do estudoCollaborative Perinatal Project, entre 1959 e 1966. Elas foram comparadas com 2.087 pacientes cuja gravidez teve curso normal. Os dados estatísticos mostraram que as concentrações de paraxantina foram maiores no grupo que sofreu aborto (725 ng/dl), em comparação com o grupo de controle (583 ng/dl)>

Ainda que não seja possível estabelecer de forma precisa a relação entre o nível de paraxantina e o consumo de cafeína, os autores afirmam que, extrapolando os dados de um estudo piloto prévio, cifras superiores a 1845 ng/dl corresponderiam a seis taças diárias de café, ou 600 mg de cafeína, em uma mulher de 60kg não fumante e 11 taças ao dia (1100 mg de cafeína) em uma fumante. Desta maneira, conclui-se que só o consumo elevado de cafeína está associado com um risco aumentado de aborto espontâneo.

No editoral que acompanha o estudo, a Dra. Brenda Eskenazi, vinculada a University of California School of Public Health, assinala que as evidências recentes sugerem que um consumo diário de cafeína superior a 150 mg, ou duas xícaras de café, incrementa o risco de peso baixo ao nascer e aborto espontâneo.

Vale a pena ressaltar que desde 1981, a FDA recomenda que as mulheres grávidas evitem a ingestão de bebidas ou medicamentos que contenham cafeína ou que o consumam apenas esporadicamente, uma vez que a cafeína comprovadamente atravessa a barreira placentária e atinge o feto. As grávidas não devem se alarmar nesse sentido nem chegar a extremos de abolir totalmente o café, quando ele já faz parte da sua mesa: o ideal, com tudo, é a moderação.

Mitos e Fatos

A cafeína contém vitaminas ou proteínas?

Não. A cafeína não apresenta nenhum valor nutricional, sendo considerada simplesmente uma bebida estimulante. Como ela provoca uma dependência leve, é comum que as pessoas sofram de dores de cabeça quando retiram subitamente a cafeína de sua dieta, sintoma que desaparece em alguns dias.

A cafeína provoca insônia, ou sono de baixa qualidade?

Esta é uma noção popular, embora não se tenha também quaisquer dados significativos a respeito. O que se sabe é que o estado de alerta buscado na cafeína pode ser obtido através de uma caminhada ou de exercícios, os quais facilitam um bom sono e conseqüente melhor estado de alerta na manhã seguinte.

É muito arriscado ingerir cafeína em estado de estresse?

Igualmente não existem diretrizes para isso. Mas os estudos sugerem que é melhor evitar seus excessos, pois o efeito na pressão sanguínea é suficiente para reduzir os efeitos de medicamentos ou de outras mudanças benéficas no estilo de vida.

As mulheres têm mais sensibilidade à cafeína?

Pesquisadores de Oklahoma constataram que não, que as mulheres têm respostas semelhantes aos homens, embora os mecanismos do aumento de pressão sanguínea tendam a diferir.

Está comprovado que a cafeína faz mal às crianças?

Os estudos não encontraram nenhum indício sobre isto, embora quase todos os médicos recomendem que o ideal é a criança não fazer uso demasiado de café, bebidas com cola ou refrigerantes, bem como chocolates, preferindo a isto frutas e bebidas tipo suco.

O nível de cortisol (hormônio associado ao estresse) aumenta com a ingestão de cafeína?

Estudos mostraram que sim, porém esse aumento está também ligado a situações de estresse e não exclusivamente ao uso de cafeína. Nesses casos, convém também substituir a bebida por sucos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

7 SINAIS DE ALERTA NA DOR LOMBAR

Do original da North American Spine Society – Seven Back Pain Warning Sigs, em http://www.spine.org/articles/7warningsigns.cfm
Se você responder sim a qualquer uma destas questões, você deve procurar um especialista em coluna.
1. A dor está se irradiando para a perna?Se, além disso, a dor é persistente e severa, é sinal de que algo está comprimindo uma raiz nervosa que emerge na coluna e distribui-se na perna.
2. A dor na perna piora se você tentar erguer o joelho até o tórax ou girar a cintura?Se isso acontece, há uma boa chance de você ter uma hérnia de disco.
3. Você teve dor forte nas costas após uma queda ou traumatismo recente?Uma queda pode lesionar sua coluna. As chances de lesão aumentam se você sofrer de osteoporose.
4. Você teve dor significativa nas costas com duração maior que 3 semanas?Muitas vezes a dor desaparece com tratamentos simples, entretanto, se a dor persistir, você deve procurar um especialista em coluna.
5. A dor nas costas piora quando você se deita ou lhe faz acordar durante a noite?Isto pode ser sinal de uma infecção ou outro problema, principalmente se, além disso, você tiver febre.
6. Você está com problemas para urinar ou evacuar que já duram algum tempo?Esse tipo de problema pode ter várias causas, mas algumas doenças da coluna podem provocar estas sintomas.
7. Você tem dormências ou fraqueza nas pernas quando caminha?Isso pode ser causado por um estreitamento do canal onde passam os nervos. Isso chama-se estenose espinhal.
Você pode fazer algumas coisas para manter suas costas sadias:
Deixe de fumar
Mantenha-se em um peso adequado
Exercite-se pelo menos 3 vezes por semana.
Se você tem dor nas costas, ou quer saber mais sobre como evitá-la, consulte um especialista.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Artose nos Joelhos: Frio ou Calor?

Artrose do Joelho, frio ou calor ?

A osteoartrose (OA) é uma das doenças mais comuns do sistema esquelético, e pode ser definida como uma condição degenerativa que afeta as articulações, mas não afeta o organismo internamente e não conduz a mortalidade. A OA do joelho é uma doença de caráter inflamatório e degenerativo, que provoca a destruição da cartilagem articular e leva a uma deformidade da articulação.

A dor, geralmente, é o primeiro fator incapacitante da OA, levando posteriormente a alterações articulares, periarticulares e disfunção progressiva da articulação. O calor e o frio podem combater a dor, ambos são chamados de crioterapia, o calor superficial e/ou profundo e o gelo. Embora a OA esteja relacionada com fatores mecânicos de sobrecarga articular levando à lesão cartilaginosa a atividade física regular e dosada, pode melhorar algumas das alterações secundárias relacionadas com esta doença. O tratamento da OA deve ser continuado, baseando-se em terapia medicamentosa, física ou fisioterapia.

A literatura demonstra interesse nas comprovações científicas das propostas de medicina física, até o momento muitas vezes baseado na observação e empirismo. As revisões tentam demonstrar o efeito benéfico de certas técnicas, porém várias comprovações são necessárias sobre a real utilidade de cada método ou aparelho seja proposto. Adriana Lucia Pastore Silva e colaboradores, fisioterapeutas da Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, fizeram uma comparação de protocolos de tratamento fisioterapêutico, que envolveram o uso de cinesioterapia (exercícios), crioterapia e ondas curtas, em indivíduos com osteoartrose de joelho. Foram 25 indivíduos (25 joelhos), de 58 a 78 anos. No GRUPO A: foi feito cinesioterapia e ondas curtas (n=9); GRUPO B: foi feito cinesioterapia e gelo (n=6); GRUPO C: foi feito cinesioterapia (grupo controle) (n=9);

As variáveis analisadas foram: percepção subjetiva de dor, qualidade funcional, amplitude de movimento, flexibilidade e força muscular. A dor melhorou significativamente somente no grupo B, com qualidade funcional e flexibilidade positiva em todos grupos. O ganho de amplitude foi semelhante nos grupos B e C. Houve manutenção da força flexora nos grupos A e B, e ganho nos indivíduos do grupo C. Na musculatura extensora observou-se ganho de força no grupo B e C e perda no grupo A.

O melhor protocolo foi aquele que envolveu a aplicação de gelo e cinesioterapia para analgesia; não houve relação de ganho de amplitude, flexibilidade e força associado.


Fonte :: Acta ortop. bras.15 (4 ) out-dez 2007

Discopatia degenerativa

A Discopatia Degenerativa não é propriamente uma doença, mas um termo empregado para descrever alterações normais que ocorrem nos discos intervertebrais que ocorrem com o envelhecimento.

Em alguns casos, a Discopatia Degenerativa pode se manifestar com sintomas bastante similares aos de uma Espondilite Anquilosante. As alterações que ocorrem nos discos podem resultar em dores no pescoço ou nas costas, além de osteoartrite e hénias de disco.

Qual a causa da discopatia degenerativa?

A medida em que envelhecemos, os discos localizados entre as vértebras também sofrem um processo de desgaste.

Eles perdem uma quantidade significativa do conteúdo líquido, perdendo um pouco de sua capacidade amortecedora. A perda de líquidos também diminui a espessura dos discos e a distância entre as vértebras.

A diminuição na distância entre as vértebras e, conseqüentemente, da estabilidade da coluna vertebral, tende a ser compensado pelo organismo através da formação de pontes ósseas entre uma vértebra e a seguinte. Estas pontes, chamadas Osteófitos, podem pressionar as raízes nervosas ou a própria medula, causando dor e comprometimento da função do nervo afetado.

Com o tempo, o material gelatinoso dentro do disco pode ser forçado para fora através de minúsculas rupturas, resultando em hérnias de disco.

Todas estas alterações são mais freqüentes em pessoas que fumam e aquelas que executam trabalhos pesados com sobrecarga de peso. Pessoas obesas também apresentam um risco maior para sintomas de discopatia degenerativa.

Uma lesão aguda (p.ex.: uma queda), resultando em hérnia de disco, também pode dar início a um processo de discopatia degenerativa.

Quais são os sintomas?

Dores nas costas e na região do pescoço são as manifestações mais comuns da doença. Contudo, os sintomas variam de pessoa para pessoa e de acordo com o local da coluna vertebral afetado.

Muitas pessoas não sentem coisa alguma, ao passo que outras com lesões semelhantes se queixam de dormências ou dores severas e incapacitantes.

Se o disco afetado estiver na região do pescoço, os sintomas podem incluir dores cervicais ou no braço. Na coluna inferior, os sintomas incluem dores lombares, nas nádegas ou nas pernas.

Em todos os casos, a dor tende a piorar com os movimentos de extensão da coluna. Por exemplo: ao se abaixar para amarrar um cadarço ou ao se esticar para alcançar algo em uma prateleira mais alta.

Como a discopatia degenerativa é diagnosticada?

Através da sua história e do exame do clínico, o medico é capaz de ter uma boa idéia do problema. Porém, alguns testes serão necessários para identificar a extensão da discopatia degenerativa.

Os principais exames solicitados incluem radiografias, tomografias computadorizadas e ressonância nuclear magnética da coluna vertebral.

Como é feito o tratamento?

O uso de compressas frias ou quentes, e comprimidos ou injeções de antiinflamatórios ajudam aliviar o desconforto, mas só devem ser utilizados sob orientação medica.

Dependendo da extensão da doença e da associação com problemas como osteoartrite, hérnia de disco ou estenose vertebral, seu médico poderá recomendar outros tratamentos, como fisioterapia, alongamentos ou mesmo cirurgia.

Fonte: Bibliomed

terça-feira, 1 de março de 2011

Efeito placebo pode funcionar mesmo quando informado ao paciente


Paulo Gustavo Barboni Dantas Nascimento

O tratamento com placebo pode influenciar significativamente os sintomas subjetivos. Acredita-se que a resposta ao placebo requer ocultação ou dissimulação. Um grupo internacional de cientistas verificou que a administração não-enganadora e não-escondida é superior a um controle sem tratamento, combinado com as interações médico-paciente no tratamento da síndrome do intestino irritável (SII).

O estudo utilizou dois grupos aleatórios, realizado em um único centro acadêmico, envolvendo 80 pacientes (sendo 70% do sexo feminino) com síndrome do intestino irritável diagnosticada por critérios específicos. Os pacientes foram destinados para pílulas de placebo declarado, apresentadas como "pílulas de placebo feito de uma substância inerte, como pílulas de açúcar, que foram mostradas em estudos clínicos para produzir uma melhora significativa nos sintomas da SII por meio de processos mente-corpo de auto-cura", ou controles sem tratamento farmacêutico com a mesma qualidade de interação com os médicos e especialistas.

O trabalho demonstrou que os pacientes que receberam placebo declarado, no contexto de uma relação médico-paciente de apoio e uma justificativa convincente, tiveram melhora dos sintomas clinicamente significativos e obtiveram melhora significativa em comparação a um grupo-controle sem tratamento e combinado com a interação médico-paciente. Este é o primeiro estudo comparando placebo declarado para um controle sem tratamento. Estudos anteriores sobre os efeitos do tratamento com placebo declarado ou não incluíram nenhum tratamento-controle [1] ou combinado com tratamento químico ativo [2]. O estudo sugere que declarar abertamente as intervenções inertes, com uma justificativa plausível, pode produzir respostas placebo refletindo a melhoria sintomática, sem engano ou dissimulação.

Os autores indicam também que o estudo tem várias limitações. O tamanho da amostra foi relativamente pequeno e a duração foi demasiada curta para obter estimativas de efeitos em longo prazo. A avaliação poderia ser descrita como uma "prova de princípio" de um estudo piloto. A replicação com um tamanho de amostra maior e um maior seguimento são necessários antes de indicar que decisões clínicas podem ser tomadas com base nesses dados.

Outras possíveis limitações do estudo advêm do viés de relatório (por exemplo, "desejando agradar o experimentador"). No entanto, dada à impossibilidade de avaliação do placebo duplo-cego versus controle aberto sem tratamento farmacêutico, os efeitos do viés de relatório não podem ser eliminados. Outra limitação relacionada é que os pacientes designados para o tratamento não farmacológico podem ter sido desapontados, aumentando as diferenças entre o placebo e o grupo controle sem tratamento, além de outros possíveis vieses.

Referências

  • Kaptchuk TJ, Friedlander E, Kelley JM, Sanchez MN, Kokkotou E, Singer JP, Kowalczykowski M, Miller FG, Kirsch I, Lembo AJ. Placebos without deception: a randomized controlled trial in irritable bowel syndrome. PLoS One. 2010 22 5(12), 15591;

  • 1. Park LC, Covi L (1965) Nonblind placebo trial. Archives of General Psychiatry 12: 336–345;

  • 2. Sandler AD, Bodfish JW (2008) Open-label use of placebos in the treatment of ADHD: a pilot study. Child Care and Health Development 34: 104–10.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Pneumotoráx - Uma Contra-indicação Absoluta?

Considerações sobre Importantes Fatores de Risco como o Pneumotórax Espontâneo

O mergulho autônomo é uma atividade de lazer que apresenta risco potencial para a ocorrência de várias formas de doenças agudas. Riscos potenciais incluem trauma, hipotermia, toxicidade por gases, falta de ar por mau funcionamento de equipamentos ou planejamento de mergulho inadequado.

Habitualmente no mergulho autônomo podemos observar uma grande preocupação com a prevenção e o tratamento da doença descompressiva. No entanto, ela não lidera a lista de causas de acidentes fatais. Esta é liderada pelo afogamento, que é considerado a causa mais comum de morte entre mergulhadores, seguida pela embolia arterial por gás. Entretanto, há quem questione que afogamento seja a primeira causa de morte no mergulho, pois patologistas inexperientes em medicina do mergulho frequentemente classificam qualquer evento fatal que ocorra na água como afogamento. Imagina-se que o barotrauma pulmonar seguido de embolia gasosa arterial seja a mais frequente causa de morte no mergulho autônomo.

A lesão pulmonar e suas complicações devido ao barotrauma são um quadro potencialmente letal e pode se relacionar à prática inadequada do mergulho autônomo e a fatores de risco bem determinados. A embolia arterial por gás é uma complicação mais comum do barotrauma pulmonar, que é responsável por 30% das fatalidades no mergulho. O conhecimento da fisiopatologia do barotrauma pulmonar, as suas manifestações, as condições associadas, bem como as complicações, são importantes para um diagnóstico precoce e a rápida instituição do tratamento. O seu melhor conhecimento poderá fornecer as bases educacionais para os programas de ensino no mergulho e instituição de treinamentos específicos para que se possa evitá-lo.

ALGUNS DADOS EPIDEMIOLÓGICOS

Os dados históricos revelam que a embolia gasosa arterial é responsável por aproximadamente 10% de todos os casos de doença descompressiva. Ela passou dos 18% observados na década de 1980 para os 7 a 8% observados no final da década de 1990. A análise dos dados do Divers Alert Network (DAN) referentes aos acidentes de mergulho revela que em 2002 a embolia gasosa arterial teve sua incidência diminuída em relação a 2001, passando de 7 a 8% para 6,6% dos casos relatados de doença descompressiva. Provavelmente essa queda de percentual esteja relacionada ao ensino do mergulho com treinamento específico para subidas de emergência e à identificação de fatores de risco.

ENTENDENDO O BAROTRAUMA PULMONAR

Barotrauma é a consequência da compressão ou expansão, durante a descida ou subida respectivamente, de cavidades do nosso corpo que contêm ar. Estruturas de risco são ouvidos, seios da face, pulmões, intestinos. A pele e os olhos também estão sujeitos a barotrauma através da coleção de ar que pode ficar na interface entre ela e a roupa ou máscara de mergulho. O barotrauma pulmonar é um problema que geralmente ocorre no final do mergulho, no período de subida.

Os gases usados para a ventilação pulmonar durante o mergulho estão pressurizados nas vias aéreas na pressão ambiente. Gradiente de pressão significativo entre a fonte de gás e a árvore respiratória capaz de produzir dano não é gerado, pois, à medida que o mergulhador desce, a cada movimento ventilatório, há uma equalização. Se o mergulhador respira e ventila normalmente, o volume de gás que está aumentando, não provoca qualquer sobre-expansão da estrutura pulmonar. Cada movimento inspiratório promoverá uma equalização de pressão entre o ambiente e o espaço de conteúdo aéreo pulmonar, ou seja, normalmente as pressões intrapulmonares e ambientais se equilibram pela inspiração e expiração frequente.

No entanto, podem ocorrer situações em que essa equalização não ocorre. Estando o pulmão repleto de gás sob pressão, uma ascensão rápida pode fazer com que a pressão intrapulmonar aumente a níveis capazes de produzir dano pulmonar. Sobrepressão de 95 a 110 cm de água ou 70 a 80 mm de mercúrio já pode provocar dano aos pulmões.

O barotrauma pulmonar da subida é o mais frequente dos barotraumas pulmonares e pode ter consequências desastrosas. O mergulhador, usando qualquer mistura gasosa compatível com a respiração durante a ventilação na profundidade, enche seus pulmões com volumes similares àqueles da superfície. Numa manobra sem lesão, durante a subida, o volume de gás expande e o mergulhador deve exalar, permitindo que o ar escape. Se alguma coisa impede o fluxo de saída da mistura gasosa, todo o pulmão ou um segmento dele pode romper. Isso pode ocorrer, se o mergulhador adota uma ventilação irregular, dando grandes respiradas intermitentes, ou segura o ar enquanto se desloca à superfície. As situações mais comuns em que esse tipo de barotrauma ocorre, são quando o suprimento da mistura gasosa utilizada para a ventilação termina enquanto o mergulhador está no fundo ou quando há perda de controle de flutuação em que há uma subida descontrolada à superfície.

O maior risco de ocorrência de um barotrauma pulmonar é perto da superfície. Isso é fácil de entender, pois é aí que ocorrem as maiores variações de volume, ou seja, a taxa de expansão do volume da mistura gasosa é maior com a diminuição da pressão ambiente.

Um aumento de pressão intrapulmonar de 80 mm de mercúrio força ar nos capilares pulmonares. Considerando que 1 pé de água salgada (30,48 cm) é o equivalente a 23 mm de mercúrio de pressão, a subida sem exalar de menos de 4 pés de água salgada (1,22 m) com os pulmões cheios de ar pressurizado pode produzir dano pulmonar e embolia gasosa arterial. Uma ascensão de 100 (30,4m) para 96 pés (29,2 m) produz menos expansão de volume da mistura gasosa dentro do pulmão do que de 4 pés para a superfície. As maiores taxas de mudanças de volume de uma mistura gasosa ocorrem mais perto da superfície, o que impõe mais perigo.

As alterações estruturais que ocorrem no pulmão, são variadas e, dependendo do local onde ocorrem, podem provocar várias consequências. O ar, incapaz de sair através das vias aéreas e mantendo a pressão original que completou a capacidade pulmonar total, acaba rompendo estruturas. Inicialmente ele provoca um enfisema na intimidade da estrutura pulmonar, ou seja, o ar disseca o interstício do tecido de sustentação do pulmão.

Ele pode seguir lesando a estrutura do alvéolo, rompendo por contiguidade os capilares pulmonares, permitindo a entrada de ar na circulação, provocando embolia arterial gasosa. Algumas vezes, o ar, oriundo da ruptura alveolar, acaba dissecando a bainha de tecido de sustentação ao redor dos vasos sanguíneos e, seguindo pelo seu trajeto, provocando enfisema mediastinal. O mediastino é o espaço do meio do tórax, que contém todas as vísceras torácicas, exceto os pulmões.

Os pulmões estão dentro da membrana pleural no interior da cavidade torácica. A pleura acaba sendo a membrana serosa que recobre o pulmão e o interior da cavidade torácica. Um espaço potencial se cria entre as duas lâminas de pleura: a que recobre o pulmão (visceral) e a que recobre a cavidade torácica (parietal). Entrando ar nesse espaço, esse local, que era virtual, torna-se real. É o pneumatórax. Caso um alvéolo se rompa num barotrauma pulmonar e uma

solução de continuidade se forme para dentro do espaço pleural, ocorre o pneumatórax. Se o espaço se amplia, a expansão pulmonar fica reduzida e a ventilação comprometida.

O pneumotórax do barotrauma pulmonar é um pneumotórax fechado, pois o ar que vai ao espaço pleural, é originário de uma lesão interna. É o contrário do pneumotórax aberto decorrente de uma lesão externa, como, por exemplo, uma lesão perfurante imposta externamente ao tórax que trespasse a parede torácica e penetre até a cavidade torácica.

Quanto maior a abertura interna no pneumotórax fechado mais rápida é a progressão do pneumotórax. Se a lesão é pequena, ela pode se fechar e não aumentar o volume de ar no espaço pleural. Pneumotóraxes pequenos são reabsorvidos gradativamente.

Não havendo fechamento da lesão inicial, o ar vai continuar entrando no espaço pleural e um pneumotórax hipertensivo ocorrerá.

MANIFESTAÇÕES

As manifestações do barotrauma pulmonar são variadas. Elas podem ser decorrentes diretamente da própria desestruturação do órgão intratorácico ou das consequências dessas lesões. Manifestações provenientes dessas lesões podem ser a eliminação pela boca de sangue de origem pulmonar (hemoptise), falta de ar, desconforto respiratório e dor torácica.

Quando ar faz êmbolos no leito vascular cerebral, uma grande e variada possibilidade de manifestações neurológicas é possível. Elas são as mais comuns manifestações dos barotraumas pulmonares. As alterações neurológicas ocorrem em minutos após a subida à superfície e variam de pequenas alterações no comportamento a convulsões e perda de consciência. Os achados descritos são a perda de força ou paralisia de um lado do corpo, alterações da sensibilidade em extremidades, mudanças visuais, vertigem, cefaléia, desorientação, diminuição da pressão arterial, náusea, tontura, vários níveis de alteração da consciência, que variam de confusão mental, coma, a parada respiratória.

A experiência australiana documentada a partir de relatos de casos e de registros imediatos de 74 acidentes de mergulho revelou que, na maioria dos casos, as manifestações iniciais de embolia gasosa arterial foram decorrentes de dano grave no sistema nervosos central. Elas foram o estupor ou coma com ou sem convulsão seguidos de alterações motoras e de sensibilidade de extremidades.

Recompressão imediata pode salvar a vida do mergulhador. Entretanto, a dificuldade de reconhecer uma embolia gasosa arterial relacionada a um barotrauma pulmonar ou o seu diagnóstico ser postergado pelo fato de o mergulhador apenas apresentar sintomas sutis da sua ocorrência podem resultar em dano neurológico permanente. Entre 7 e 14% das vítimas de embolia gasosa arterial não sobrevivem.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Habitualmente o diagnóstico do barotrauma torácico e da embolia arterial gasosa secundária não é um problema porque eles fazem parte de um continuus iniciado pelo barotrauma pulmonar. O diagnóstico diferencial mais relevante é entre ele e a doença descompressiva.

Em relação à situação de mergulho associada ao barotrauma torácico e embolia arterial por gás, devemos saber se houve pânico ou manobras que levaram o mergulhador a segurar o ar na subida em qualquer profundidade. Havendo dano no sistema nervoso central, ele é preferentemente cerebral e com as manifestações pertinentes a essa localização. As principais são as citadas anteriormente. Além dasmanifestações neurológicas, há aquelas próprias do comprometimento pulmonar também já mencionadas.

Já na doença descompressiva, realizando-se um levantamento do que ocorreu durante o mergulho, geralmente é constatado que o mergulhador excedeu o tempo de fundo máximo permitido para determinada profundidade de acordo com o indicado nas tabelas de mergulho. Em relação às manifestações neurológicas, no caso da doença descompressiva, elas são geralmente decorrentes do comprometimento do sistema nervoso central na medula e se evidencia perda total ou parcial de sensibilidade ou motricidade das extremidades. Em 50% dos casos, as manifestações ocorrem na primeira hora após o mergulho e, em 90%, nas primeiras 6 horas.

CONDIÇÕES CLÍNICAS DE RISCO PARA O BAROTRAUMA PULMONAR

Fatores de risco para a ocorrência de barotrauma pulmonar são as anormalidades pulmonares morfológicas ou funcionais. Doenças pulmonares que causam um aumento do risco de se desenvolver um barotrauma, incluem qualquer uma que é capaz de produzir uma obstrução ao fluxo do ar ou mistura gasosa durante a ventilação pulmonar. Dentre elas, estão as que produzem cicatrizes pulmonares como o pneumatórax espontâneo, o pneumatórax traumático; as que são capazes de colecionar um grande volume de ar como as bolhas ou cistos pulmonares e, finalmente, as que produzem inflamação como a asma, a sarcoidose, a doença intersticial e o granuloma eosinofílico.

PNEUMOTÓRAX ESPONTÂNEO

Algumas pessoas podem apresentar pneumotórax enquanto realizam atividades do dia-a-dia. Por isso é chamado de pneumotórax espontâneo. A maioria tem alguma alteração estrutural pulmonar para predispô-la a esse tipo de problema. Muitas vezes decorre de defeitos congênitos.

Pneumotórax espontâneo ocorre em jovens com boa saúde sem qualquer aviso e está associado a um grande risco de recorrência. Recorrências em grandes intervalos de tempo têm sido descritas. Em alguns casos excepcionais, pode surgir tardiamente na vida adulta.

Pacientes com história de pneumotórax espontâneo têm risco de colapso pulmonar e desenvolvimento do grave pneumotórax hipertensivo durante o mergulho, como foi colocado anteriormente. Mergulhadores que já apresentaram pneumotórax espontâneo, têm grande risco de ter pneumotórax ou embolia gasosa arterial.

Pneumotórax espontâneo prévio é uma contra-indicação ao mergulho autônomo a menos que seja tratado com cirurgia. Toracotomia aberta com abrasão pleural ou pleurectomia produzem os menores índices de recorrência (menos que 0,5%). Tratamento do pneumotórax espontâneo por vídeo-toracoscopia cirúrgica tem sido associado à taxa de recorrência de 5 a 10%. Ela tem sido considerada uma modalidade de tratamento inapropriada para quem quer continuar mergulhando após um pneumotórax espontâneo. Após a pleurectomia cirúrgica, aqueles que tiveram um pneumotórax espontâneo, devem apresentar teste de função pulmonar e tomografia computadorizada torácica normal para poderem retornar ao mergulho.

Pleurectomia oferece proteção contra o risco de pneumotórax, entretanto não há qualquer dado sobre risco continuado de pneumomediastino ou embolia gasosa arterial. Portanto, o portador desse tipo de lesão deve saber que o risco de barotrauma pulmonar no mergulho associado a outros tipos de complicação é muito grande, apesar da avaliação médica rigorosa.

O desenvolvimento de um pneumotórax espontâneo na profundidade é muito grave já que, durante a subida, o volume do gás numa cavidade fechada vai se expandir, criando tensão e deslocando estruturas. A evolução é igual à de um barotrauma complicado por pneumotórax em pulmão previamente hígido, como foi descrito anteriormente.

PNEUMOTÓRAX TRAUMÁTICO

Uma lesão torácica pode ser resultado de uma cirurgia do tórax ou até mesmo do abdômen, de uma penetração por um instrumento perfurante como uma faca ou tiro e mesmo por uma fratura de costela num traumatismo torácico fechado. Nessas situações pode ocorrer um pneumotórax traumático. Se o tecido pulmonar subjacente e mesmo a pleura que recobre, apresentem uma cicatriz, há um risco aumentado de barotrauma pulmonar durante o mergulho. Esse tipo de lesão requer uma rigorosa avaliação antes do mergulho.

Pneumotórax traumático prévio pode não ser uma contra-indicação ao mergulho, se cicatrizado e associado a provas de função pulmonar normal, incluindo medida do fluxo expiratório em 25% da capacidade pulmonar total (Fluxo Expiratório Final 75%) e tomografia computadorizada torácica normal.

E AQUELES QUE TIVERAM UM BAROTRAUMA PRÉVIO SEM FATOR DE RISCO IDENTIFICADO ?

É o caso daquele mergulhador que teve um barotrauma pulmonar durante um mergulho sem um fator de risco identificado, mas com uma causa bem estabelecida como, por exemplo, a realização de uma subida rápida acidental. Esse mergulhador deve realizar uma avaliação clínica rigorosa. Essa avaliação deve incluir tomografia computadorizada de pulmão e espirometria detalhada em várias porções do fluxo expiratório para descartar qualquer doença pulmonar subjacente.

CONCLUSÃO SOBRE OS FATORES DE RISCO

Para obter respostas conclusivas sobre o risco de ter uma doença em particular e a capacidade de provocar um barotrauma pulmonar ainda se faz necessário o desenvolvimento de estudos experimentais com delineamentos de pesquisa apropriadamente elaborados.

Não há estudo clínico controlado disponível para permitir conclusões definitivas sobre o risco do mergulho autônomo em portadores de doença pulmonar. As recomendações atuais são baseadas no bom senso e eminferências de mecanismos fisiopatológicos na gênese do barotrauma e sem informação clínica definitiva.

PREVENÇÃO

Como foi dito, as primeiras observações de barotrauma pulmonar da subida foram realizadas em manobras de evasão de submarinos. Muitas foram fatais e suscitou-se um melhor entendimento da sua fisiopatologia.

A maior parte desse tipo de barotrauma decorre da atitude do mergulhador de segurar a respiração quando há a situação de subir rápida e descontroladamente. Portanto, deve-se instruir que, em manobras de subida do fundo, não se prenda o ar. O mesmo é válido para os mergulhadores em caso de subida rápida decorrente de falha de equipamento. Além disso, particularmente, no mergulho multinível devem ser orientados a respirar constante e pausadamente sem enchimento pulmonar da mistura gasosa até a capacidade pulmonar total. Portanto, o treinamento é importante instrumento para evitar o barotrauma pulmonar e suas complicações.

Candidatos a mergulhador autônomo com história passada de traumatismo torácico, episódios prévios de pneumatórax, cirurgia torácica e infecção intratorácica importante devem realizar exame de imagem para saber se estão aptos.

Na prevenção do barotrauma no mergulho, vale a máxima comumente usada por divemasters e instrutores de mergulho: "Relaxe e respire normalmente na subida." E, de preferência, com o colete equilibrador desinflado. Assim sendo, também diriam: "Colete equilibrador não é colete salva-vidas."

CONCLUSÕES

Os barotraumas, em geral, são alterações evitáveis e informar sobre seus fatores de risco é importante para a conscientização da dimensão do problema e fundamental para formar uma cultura de mergulho seguro.

A identificação dos fatores de risco para a ocorrência de barotrauma pulmonar é feita pela história e exame dos candidatos à prática do mergulho autônomo recreacional.

Infelizmente a avaliação médica por médico do mergulho não é uma prática habitual, o que faz com que se perca uma oportunidade de realizar uma boa medicina preventiva. Mesmo quando é realizada por médico treinado em medicina do mergulho, o assunto é controverso e requer um posicionamento crítico.

À medida que a prática atual do mergulho no que diz respeito às condições de saúde do mergulhador é baseada no consentimento informado e há uma certa liberalidade quanto a critérios para a prática da atividade, os riscos aumentam.

Há também questões éticas que devem ser consideradas principalmente em relação à pressão da indústria do mergulho para ter um número cada vez maior de praticantes. O médico que pratica uma ética de proteção em relação ao mergulhador, deve ter uma posição isenta, sem se sentir pressionado por paradigmas comerciais empresariais. O que se sabe, com toda a certeza, é que, em relação ao trauma e o mergulho, neste momento não há uma certeza de nada. Deve-se ter muito cuidado em relação à análise dos acidentes de mergulho e, conforme diz o Dr. Edmonds, é necessário ignorar o adágio estatístico de que ausência de evidência não é evidência de ausência de dano.

Exames laboratoriais de medida de fluxo ventilatório expiratório relacionados com a medida da capacidade pulmonar podem identificar indivíduos de alto risco de apresentar barotrauma pulmonar. Esses exames tornaram-se importantes ferramentas de triagem e um excelente investimento em termos de diagnóstico preventivo de complicações maiores. Entretanto, cabe ressaltar que são testes cujos parâmetros ainda não estão uniformizados e há muita discussão, em relação a sua aplicabilidade, mesmo entre os especialistas da área. Isso quer dizer que, mesmo consultando especialistas, pode haver diferenças de opinião e, consequentemente, divergências em relação a liberação ao mergulho.

O mergulho recreativo praticado dentro dos seus limites, com o uso dos equipamentos habituais, com treinamento adequado e sendo excluídas alterações relacionadas à saúde do praticante tem menor possibilidade de apresentar acidentes e complicações. Em termos de prevenção de acidentes graves, devemos praticar e educar iniciantes na atividade, investindo muito no treinamento para evitar o pânico e nas atitudes preventivas relacionadas à pratica do mergulho para evitar o barotrauma torácico. Muito cuidado deverá haver nas ocasiões de realizar batismos de mergulho e mesmo nas experiências de mergulhar em piscinas, principalmente em relação a turistas e crianças, pois são situações de risco para exposição aos barotraumas. Esses acidentes são as causas que lideram as estatísticas de acidentes fatais e, muitas vezes, não oferecem sequer a possibilidade do tratamento adequado.

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